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Janeiro 2009

Negro

 


Naqueles tempos o movimento estudantil entre os ginasianos era muito intenso. Embora o trabalho entre os jovens estivesse marcado pelo sectarismo, contávamos com uma dúzia de grêmios literários que funcionavam nos colégios ou fora deles.

O mais ideológico dos centros culturais entre o José do Patrocínio.

Certa vez, o grêmio da Fênix Caixeiral preparou uma festa, se não me engano, por ocasião do 11 de agosto – dia do estudante. Foram convidados todos os grêmios da cidade, inclusive nós, do José do Patrocínio.

Imediatamente, a Diretoria do José do Patrocínio se reuniu e decidiu dar-me uma estranha tarefa.

- Você vai ter que meter o cacete no Pimentel...

O dr. Pimentel era um homem respeitável numa certa medida, embora à sombra di seu governo tenham acontecido arbitrariedades e tenha ocorrido o massacre do Caldeirão, onde, juntos, latifundiários, governo estadual e federal esmagaram a ferro e a fogo, reduzida a uma poça de sangue a 1ª.

República Socialista Camponesa em solo latino americano. Mas o dr.

Pimentel coma auréola do valho educador, sob tão respeitável título, conseguia esconder-se, transferindo a seus auxiliares a autoria dos desmandos.

Estávamos ainda na vigência do Estado Novo, embora o regime, sob o peso da consciência anti-fascista e democrática que estava levando à derrota os últimos redutos do fascismo no mundo, estivesse à beira do túmulo da história. Afi rmei que iria faze r meu discurso mas que esperava como certo um tumulto na festa da Fênix e, mais certa ainda a minha prisão. Ainda houve quem ponderasse que “era uma provocação com o governador e uma indelicadeza com o Grêmio da Fênix que nos tinha convidado”. Mas a decisão foi mantida e eu tive que ir.

No dia da solenidade, vesti minha fardinha do Colégio Farias Brito e fui enfrentar a tarefa. Subi um a um dos degraus de madeira que levavam ao auditório da Fênix. O governador ainda não havia chegado e eu logo fui convidado para compor a mesa que estava em formação, como representante do José do Patrocínio. Minutos depois chegava o governador acompanhado de dois de seus secretários e, embora à paisana, bem identifi cáveis, meia dúzia de policiais. A presidência, assim como manda o protocolo, foi entregue ao dr, Pimentel, que era a maior autoridade presente.

Tiveram início os discursos. Alguns eram infl amados, de conteúdo anti-fascista e transbordantes de uma nacionalismo que afl orava ao pagarem-se as luzes da ditadura. Outros eram tímidos, limitando-se a generalidades. Outros eram a sabugisse total e derramavam em louvaminhas às “autoridades constituídas”.

O dr. Pimentel, por fi m, lendo a folha de papel que tinha entre as mãos, anunciou:

_ Com a palavra o representante do Centro Cultural José do Patrocínio.

Levantei e rumei para a tribuna erguida a um lado da mesa. Confesso que havia muita confusão na minha cabeça imatura de 17 anos. Temperei a garganta e assim comecei encarando o governador, eu arrogante e de dedo em riste, como se fosse dar aquela bronca em Sua Excelência:

- Negro!

Aquilo soou como uma navalhada na pele. A platéia encolheu-se fez imediatamente um silêncio sepulcral. O dr. Pimentel começou a mudar de cor... e eu repeti:

- Negro!

O silêncio começava a se transformar em murmúrio ainda tênue. As pessoas se entreolhavam, O governador aogra estava branco como uma vela. E eu continuei:

- Negro! ... seria o destino do Brasil se caisse nas mãos das hordas do fascismo.

Um mar de aplausos estrurgiu. Todos aplaudiam, não certamente àquela frase, mais ou menos comum aqueles tempos de lutas antifascistas. O que aplaudiam era a sapuda que encontra o orador do José do Patrocínio. Ataé o governador, muito aliviado, também aplaudia alegremente.

Nota: já estava meio pedida na lembrança essa estorinha quando um dia o prof. Mardonio Botelho que presenciou o fato, vendo-me, gritou: “Negro!

(*) Luciano Barreira (Quixadá), jornalista e escritor


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Luciano Barreira
Jornalista e Escritor

                                            


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