Estenio Campelo no Senado: “Saímos do Ceará, mas o Ceará não sai da nossa mente”

Primeiro vice-presidente da Casa do Ceará em Brasília resgatou a trajetória da família Campelo, de Crateús, e a contribuição dos cearenses na construção da capital federal e da Constituição de 1988.

Brasília, 14 de abril de 2026 – Durante a Sessão Solene realizada nesta segunda-feira (13) no Senado Federal em homenagem ao tricentenário de Fortaleza, um depoimento breve, porém de profunda carga histórica e emocional, roubou a atenção do plenário. O primeiro vice-presidente da Casa do Ceará em Brasília, Estenio Campelo, ocupou a tribuna para prestar um tributo à sua terra natal e relembrar a saga de sua família, que deixou o sertão cearense para fincar raízes na construção da nova capital do país.

Natural de Crateús (CE), Estenio Campelo rememorou a chegada de sua família a Brasília em 1962. Na bagagem, além da coragem característica do povo nordestino, o grupo de 10 irmãos trazia a determinação de recomeçar. E não demorou para que os Campelo escrevessem seus nomes na história política e administrativa do Distrito Federal.

Em seu discurso, Estenio fez questão de destacar a trajetória da irmã, a jornalista Maria Valdir, que se tornou a primeira funcionária concursada da história da Câmara dos Deputados. Mas foi ao falar do irmão, Valmir Campelo, que a fala ganhou contornos de reverência cívica.

Valmir Campelo foi uma das figuras mais proeminentes da política brasiliense: atuou como administrador regional de Brazlândia, Gama e Taguatinga; elegeu-se deputado federal mais votado nas primeiras eleições do Distrito Federal; participou ativamente da Assembleia Nacional Constituinte e foi um dos signatários da Constituição Cidadã de 1988. Anos depois, exerceu o mandato de senador da República por sete anos e meio, antes de ser conduzido ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Apesar da vitoriosa trajetória construída no Planalto Central, Estenio Campelo reafirmou que a ligação com a terra natal permanece inquebrantável. Para sintetizar o sentimento não apenas de sua família, mas de milhares de cearenses que migraram para Brasília, ele citou o pensamento atribuído ao jornalista Fernando César Mesquita:

“Nós saímos do Ceará, mas o Ceará não sai da nossa mente.”

A intervenção de Estenio Campelo foi uma das mais aplaudidas da noite, representando a voz da comunidade cearense que ajudou a erguer Brasília, mas que mantém residência, afeto e memória fincados em Fortaleza.


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