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Dezembro 2013

Na festa do tempo, um brinde à vida

Já sinto no ar um clima de euforia, um gosto de festa, e aexcitação natural que decorre dos preparativos para a chegadade alguém por quem muito se anseia e de quem muito se espera.Vestidos de branco, como manda o ritual, quando soaremas doze badaladas da meia noite, estaremos brindando, entrerisos e luzes, você e eu, o Ano Novo, e acenando, emocionados,para o Ano Velho que parte, sem expectadores e sem aplausospara a “Terra do Nunca Mais”.

Ainda ontem, pode-se dizer, tão rápida a sucessão dos dias,para ele se abriam as alas, e em sua homenagem se erguiamas taças de vinho, por entre cirandas e volteios. No estirão dotempo, os 365 dias ainda por vir, apenas se delineavam napenumbra do amanhã, e por entre a alegria, festejando a novacaminhada, se escondia a incerteza, guardando o seu segredo,o medo de não chegar ao fim da peregrinação.No levantardas taças, um pensamento sombrio, uma interrogação secreta:estarei presente na festa final deste novo ano?

Por privilégio,chegamos nós. Por generosidade da vida, dodestino, de Deus, assistimos o romper de todas as alvoradase o encantamento de todos os poentes, se aquietando nassombras da noite. E enquanto rodopiava a Terra em volta doSol, presenciamos a sua inquietação se vestindo e se despindode cores, de luz, numa volubilidade sem limite, trocando deroupagem.Vestiu-se a Terra de primavera, esparramadas asflores, em profusão, engalanou-se de verão,escandalosamenteiluminada, e de branco se tingiu quando a neve caiu sobre overde do seu chão.E, no outono, brincou de esmaecer o coloridovivo da folhagem e estiolou o dourado e o escarlate num tomde despedida.Testemunhamos, deslumbrados, a chuva de prataque, por magia, a errante andarilha, a lua, de presente, a cadamês, lançou à Terra, incendiando o coração dos apaixonados.Em versos, em canções, em serenatas, teceram suas guirlandasos poetas, os amantes, e junto ao coração eleito confessaram aentrega de si mesmos.

Privilegiados, participamos da beleza que campeia portodos os confins. E como um tributo a essa permanência, testemunhamostambém toda a feiúra e toda a ameaça que existee perdura, evidenciando a vulnerabilidade do ser humano e ainconsistência da matéria de que se reveste.

Foi-nos prorrogada a vida, para participar, testemunhar, esofrer na carne, como uma decorrência natural, as limitaçõese a fragilidade.A incerteza primeira foi superada e os dias queapenas se esboçavam se tornaram reais, nossos, e vivemos oano inteiro, batalhando entre alternativas de risos e de pranto,deexpectativas e de anseios Vencemos mais uma etapa, quando amuitos foi negado o trajeto e a meio se quedaram.

Agora, tudo se repete.Parte o Ano Velho, e o Ano Novo,com acenos, acalenta as nossas esperanças. Se, como um dom,outra oportunidade nos é dada, e prossegue a vida, se evidenciauma resposta à missão que nos é proposta.Não permanecemosnestas paragens e nestas veredas por mero acidente!

Cada um pode responder de uma maneira ímpar, e influir, emodificar este Planeta Azul, porque cada um é original e único.De alguns,muitos esperam pela competência e pelo talento,outros contam com a inteligência e a sensibilidade. Necessitamdo afeto e da compreensão. Se não houver omissões,o egoísmobaterá em retirada.Haverá menos dor, menos desigualdade,menos sofrimento.

Já ouço, longe, os passos do Ano Novo, chegando. Emalvoroço se põe meu coração, grato pelo privilégio de estarpresente ao ritual da festa. Mera convenção. Bem sabemos que,sem interrupção , é o tempo um interminável fluir de dias e denoites. Contudo, levanto a minha taça a esta fantástica alvoradae convido você para brindar a vida. _ À vida!

(*) Regina Stella (Fortaleza), jornalista e escritora

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Regina Stella S. Quintas
Jornalista e Escritora
studartquintas@hotmail.com

                                            
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